Estás à beira da estrada e eu vou.
Anoitece. A vida é lenta, lenta.
Paro a teu lado, mas não deves ter receio:
Sei o que há dentro de um homem que se senta.
Quem amaste não veio e já nem sabes
Se há o lugar aonde ias no teu passo.
E eu cheguei talvez para que possas
Encostar no meu ombro o teu cansaço.
Mas não posso mentir. Na minha voz
Não se esconde o desejo de enganar:
Não há lugar algum... Só podes ir.
Antes da morte não há nenhum lugar.
Eu sou o cavaleiro e nunca minto.
Venho de longe, vi o mundo inteiro
E nada vi além deste caminho.
O que te digo é exacto e verdadeiro:
Nenhuma casa será a tua casa...
Nas tuas mãos as rédeas e mais nada.
Mas eu cheguei talvez para dizer-te
Que é também muito belo andar na estrada.
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