Desterro
Para longe de onde somos nos levaram
Cativos da estrada, nossos pés sangrando
De o caminho não ter retorno fácil.
Assim nos destruíram. E depois disseram:
Cantai-nos as canções da vossa terra.
Nas margens destes rios nos encontramos
Sentados a chorar, as nossas harpas mudas
Penduradas em ramos de salgueiros.
Não podemos cantar em terra estranha
A alegria de estar na nossa terra.
Quem nos prendeu agora pede-nos canções;
Querem de nós o que eles mesmos nos tiraram…
Não cantaremos: como arbustos secos somos.
Que nos matem: levaram já de nós
O que tínhamos ainda de ser gente
Que se pegue a minha língua ao céu da boca
Se alguma vez me não lembrar de ti,
Ó terra que já vi beijada pelo sol!
Se alguma vez tiver outra alegria
Pegue-se a minha língua ao céu da boca!
Que os meus olhos se fechem para sempre
Se eu puder ver beleza em mais alguém,
Se a imagem de ti que tenho dentro
Como nuvem passar nas mãos do vento,
Se alguma vez ligar meu nome a outro bem.