Poema da nossa juventude

Quando abrimos os olhos e decidimos lutar
Compreendemos que a semente da revolta era velha
Como esse livro que nos tinham dado há muito
E só então soubemos ler.

Éramos poucos e partimos para longe
Sem mudar de sítio.
Andámos até esquecer o caminho de volta.

Trocámos paredes pelo vento do mar;
Trocámos arados por espingardas de ferro
E campos de trigo por cumes brancos
Onde o vento cantava só para nós;
Trocámos a cama por um naufrágio
E as nossas galinhas por um cavalo e uma estrada;
Trocámos as palavras pelo silêncio dos gestos e da dor;
Trocámos a paz pela guerra
Para conseguirmos a paz.

Trocámos o que tínhamos por nada
Para termos tudo. Partimos…
E não queremos voltar.