Toda a aldeia se debruçou sobre ti quando chegaste.
Vinhas de longe e amarraste o teu cavalo à oliveira,
Mas ainda não sabíamos que trazias um sol por dentro.

Detidamente te olhámos depois: vimos como sorrias ou calavas.
Deste passos entre nós e é certo que foste um dos nossos:
Talvez termine aqui o teu caminho…

Fica: se o nosso olhar puder deter-se em ti
Teremos a alegria sempre connosco.
Cantaremos guardando o rebanho e cuidando dos nossos campos.

Fica: podes passear entre as searas
E conversar à noite com os nossos velhos.
Contarás histórias aos pequenos e nós aprenderemos sorrindo.

Havemos de chorar, se tu partires… Não à tua frente,
Mas as nossas ovelhas e os olivais da colina
E o velho moinho saberão que estamos tristes.

É certo que te trazemos connosco enquanto trabalhamos
Ainda que estejas lá em baixo, junto ao poço,
Mas temos medo do tempo e desconfiamos de nós.

É que o nosso dia está cheio de regressos a casa
E a mulher vem espreitar e os filhos enrodilham-se no arado:
Nunca tivemos uma luz que o tempo não voltasse a trazer depressa.

Fica: talvez não saibamos ler-te na ausência:
Sabemos onde é o poço,
Mas o mundo pode ser para nós longe de mais…