Setembro 2010

Reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam

Algumas vezes sabemos dentro de nós que devemos fazer qualquer coisa semelhante a plantar uma árvore, mesmo sabendo que nunca comeremos dos seus frutos nem descansaremos à sua sombra. Ou descobrimos que devemos aplicar-nos não tanto ao nosso pequeno problema, mas a reconstruir as ruínas imensas que nos rodeiam. E nunca como então somos tão grandes. E nunca como então estamos tão perto de nós mesmos.
(Paulo Geraldo)

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Só um risco real pode pôr à prova a realidade de uma convicção

Nunca sabemos até que ponto acreditamos realmente em alguma coisa, até que a sua veracidade ou falsidade se tornem para nós uma questão de vida ou de morte. É fácil dizer que acreditamos na solidez e vigor de uma corda enquanto a estamos a usar simplesmente para atar um embrulho. Mas imaginemos que tínhamos de nos suspender sobre um precipício agarrados a essa mesma corda. Não iríamos então verificar primeiro até que ponto se podia realmente confiar nela? O mesmo se passa com as pessoas. Durante anos eu poderia ter afirmado a mais total confiança em B. R. Depois veio o momento em que tive de decidir se iria ou não confiar-lhe um importante segredo. Isso mostrou-me a uma luz bem diferente aquilo a que eu chamara a minha confiança nele. Descobri que tal coisa não existia. Só um risco real pode pôr à prova a realidade de uma convicção. Aparentemente, a fé – julguei-a fé – que me permite rezar pelos outros mortos parecia forte apenas porque nunca me preocupou realmente, nunca com desespero, se eles existiam ou não. E, no entanto, pensava que sim.
(C. S. Lewis, in A dor)

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